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A crescente do etanol e o novo destino para o milho safrinha
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A crescente do etanol e o novo destino para o milho safrinha

A colheita da segunda safra coloca o milho disponível e abre a janela de comercialização do ciclo 2025/2026. A decisão sobre o destino desse volume é tomada agora, dentro de um mercado que mudou de composição ao longo das últimas safras.

A principal mudança é de onde vem a demanda: a expansão das usinas de etanol instalou uma frente compradora dentro da própria região produtora, e essa presença impacta diretamente a precificação do milho.

Uma demanda em crescimento

Nos últimos anos, no Brasil, o etanol de milho passou de complemento a componente estrutural da matriz de biocombustíveis. Na safra 2025/2026, a produção alcançou 10,17 bilhões de litros, com crescimento de 29,8% sobre o ciclo anterior, e passou a representar pouco mais de 27% de todo o etanol produzido no país, segundo a Conab

O mesmo levantamento registra o Mato Grosso, principal produtor do grão, como o maior estado produtor de etanol de milho do país.

Mais de 27% de todo o etanol produzido no Brasil é proveniente do milho (Conab).

Esse movimento tem também a continuidade projetada. No primeiro levantamento da safra 2026/2027, a Conab estima a produção de etanol de milho em 11,43 bilhões de litros, com avanço de 12,3%, com o Centro-Oeste mantendo-se como principal região produtora e o Nordeste recebendo novas unidades industriais.

Expansão das usinas e a formação de preço

O milho brasileiro tem historicamente dois principais destinos. A exportação, que responde à paridade de porto, ao câmbio e ao frete rodoviário até o terminal, e o consumo doméstico, no qual a nutrição animal é o grande destaque, respondendo por cerca de 60% do volume interno, com a avicultura à frente, de acordo com a Abramilho.

O etanol acrescenta uma terceira frente nesse quadro, sustentada por capacidade industrial instalada e contratos de suprimento que se distribuem ao longo do ano. 

Essa é a diferença prática: demanda concentrada no porto significa referência de exportação menos o frete até o terminal. Demanda instalada na região significa negociação local, sem esse desconto.

O contexto de oferta e demanda desta safra dá a dimensão da decisão. A Conab estima a produção brasileira das 3 safras de milho em 141,7 milhões de toneladas no ciclo 2025/2026, das quais 109,43 milhões na segunda safra, com estoque de passagem projetado em cerca de 14,5 milhões de toneladas em 31 de janeiro de 2027. 

No plano externo, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) projeta as exportações brasileiras de milho em 44 milhões de toneladas para 2026/2027 e estima os estoques finais globais do cereal em 277,5 milhões de toneladas.

3 destinos, a sua decisão

A comercialização do milho safrinha é uma decisão de negócio que atravessa 2 ciclos ao mesmo tempo: define a receita da safra colhida e estrutura o custo da próxima.

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