
Do Cerrado para o mundo: como o Brasil se tornou o maior exportador mundial da fibra
14/10/2026
Algodão
O Brasil é o maior exportador de algodão do mundo e o 3º maior produtor, atrás apenas de China e Índia. No ano comercial encerrado em julho de 2026, nosso país embarcou 3,37 milhões de toneladas de pluma, o maior volume da história, com receita de US$ 5,3 bilhões, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).
Essa posição tem endereço: cerca de 90% da pluma brasileira sai de Mato Grosso e da Bahia, conforme dados da Conab, em lavouras que reúnem produtividade recorde, fibra analisada e certificação socioambiental em aproximadamente 83% da produção. Os números e informações a seguir mostram a dimensão dessa cadeia e as razões do reconhecimento que a origem brasileira tem entre os compradores internacionais.
Produção recorde com área menor
A Conab estima a safra 2025/2026 de algodão em 4,14 milhões de toneladas de pluma, a maior da série histórica, com alta de 1,5% sobre o ciclo anterior. Outro dado relevante está na composição do resultado, já que a área cultivada recuou 3,2%, para 2,02 milhões de hectares, enquanto a produtividade avançou 4,9%, para 2.053 kg/ha de pluma, também recorde.
Na série da Conab, a produção brasileira saiu de 3,0 milhões de toneladas em 2019/2020 para o patamar atual, com produtividade média que passou de 1.802 kg/ha para 2.053 kg/ha no período.
O crescimento recente vem, portanto, da alta eficiência por hectare. Isto é, em vez de expansão de área, o diferencial está no manejo que preserva o teto produtivo e a qualidade da fibra até a colheita.
Mato Grosso e Bahia na liderança da fibra
Na safra 2025/2026, o estado do Mato Grosso deve colher 2,80 milhões de toneladas de pluma e a Bahia 931,5 mil toneladas. Juntos, os dois estados respondem por cerca de 90% da produção nacional de algodão.
Os dois polos da fibra têm dinâmicas distintas. No Mato Grosso, a cultura é conduzida em primeira e segunda safra, e a área cultivada foi reduzida neste ciclo. Na Bahia, a Conab registra expansão das lavouras irrigadas e retração das áreas de sequeiro, com produtividade revisada para cima em função do alto nível tecnológico empregado.

Como a origem brasileira ampliou participação
A atual posição do Brasil é resultado de uma trajetória construída em 3 frentes:
A 1ª é agronômica: a migração da cultura para o Cerrado, a partir dos anos 1990, combinou relevo mecanizável, estação seca na colheita e produção predominantemente em sequeiro. Juntas, essas condições formam a base da escala, qualidade e competitividade de custo do algodão brasileiro.
A 2ª é a organização setorial: padronização da classificação da fibra, certificação socioambiental e promoção internacional são conduzidas de forma coordenada pela Abrapa e suas associações estaduais.
A 3ª é comercial: o programa Cotton Brazil, realizado por Abrapa, Anea e ApexBrasil, com apoio do MAPA e do Ministério das Relações Exteriores, atua desde 2020 junto à indústria dos principais países compradores, com foco na Ásia, ampliando o prestígio do algodão brasileiro nesses mercados.
O efeito da conexão entre esses pilares se comprova em dados. De acordo com a Conab, as exportações brasileiras da fibra passaram de 2,13 milhões de toneladas em 2020 para uma projeção de 3,42 milhões de toneladas em 2026.
O padrão que o mercado procura e atesta
No relatório final da safra 2024/2025, a Abrapa informa 17,4 milhões de fardos analisados por HVI (análise instrumental da fibra), o equivalente a cerca de 4,25 milhões de toneladas, praticamente a totalidade da produção, dentro do Programa Standard Brasil HVI (SBRHVI).
Os resultados do ciclo foram os seguintes:
- 96,6% das amostras com resistência acima de 28 gf/tex
- 94,2% com comprimento igual ou superior a 1,11 polegada
- 85,6% com brilho acima de 75
- 77,5% com grau de amarelamento dentro dos parâmetros
Vale destacar que são esses parâmetros que determinam o valor de cada lote de pluma. Para a safra 2025/2026, a projeção da Abrapa é superar 19 milhões de análises.

Compromisso com a sustentabilidade
Na safra 2024/2025, 83% do algodão brasileiro foi certificado pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que opera em benchmark com a Better Cotton. No ciclo 2023/2024, foram 451 unidades produtivas e 3,04 milhões de toneladas certificadas, e o Brasil respondeu por 48% de todo o volume licenciado pela Better Cotton no mundo, segundo a Abrapa.
A adesão ao programa ABR é voluntária e sua auditoria é feita por certificadora independente, que avalia a unidade produtiva como um todo através de critérios ambientais, sociais e econômicos — isto é, a sustentabilidade em todas as suas esferas.
Para marcas e varejistas com metas de compra de fibra certificada, esse volume estimula a escolha pela fibra brasileira. Para o cotonicultor, a conformidade funciona como condição de acesso aos compradores mais exigentes, além de um registro auditado da sustentabilidade da operação.
O cenário externo para 2026/2027
A China encerrou o ano comercial 2025/2026 como principal destino da pluma brasileira, importando 770,5 mil toneladas, cerca de 23% do total exportado.
Para 2026/2027, o USDA projeta a produção mundial de algodão em 25,61 milhões de toneladas e o consumo em 26,76 milhões de toneladas, com crescimento liderado pela China, Índia e Indonésia.
Nesse quadro, o Brasil segue como 3º maior produtor, com 3,97 milhões de toneladas, e como o maior exportador, com 3,33 milhões de toneladas — cerca de um terço das importações mundiais projetadas.
O atual mercado da pluma brasileira
O algodão concentra capital por hectare e tem receita formada em dólar, o que coloca a relação entre custo contratado e preço fixado no centro da margem. Alguns parâmetros ajudam a ler o momento do mercado:
- Preço: as cotações da pluma em 2026 estão acima do patamar de um ano atrás, segundo a Abrapa, tanto no mercado brasileiro quanto na Bolsa de Nova York, em um cenário de oferta mundial mais ajustada e consumo em alta.
- Disponibilidade: o USDA projeta estoques finais mundiais em queda, de 16,29 para 15,17 milhões de toneladas em 2026/2027, com consumo acima da produção.
- Competitividade: o USDA também estima que as exportações brasileiras serão estáveis em 2026/2027, favorecidas pelo câmbio e pelo ganho de competitividade do algodão frente às fibras sintéticas.
Somados, esses fatores indicam um mercado com espaço favorável para a pluma brasileira. Para o cotonicultor do Cerrado, o planejamento da compra de insumos e da comercialização da pluma é o caminho para aproveitar esse cenário.
Ao lado do cotonicultor do Cerrado
Para atender a essa cadeia produtiva robusta, que responde a mercados exigentes e de grande demanda, a ORÍGEO reúne, em um só ecossistema, o que o cotonicultor precisa de ponta a ponta: portfólio de proteção de cultivos, nutrição, ferramentas financeiras, originação e acompanhamento próximo em cada etapa da produção.
Em um setor no qual o algodão brasileiro ocupa a 1ª posição mundial em exportações, as grandes decisões estão nas mãos do produtor, e o papel da ORÍGEO é ampliar as informações e os instrumentos disponíveis para impulsionar cada uma dessas escolhas.

