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Manejo de resistência: o programa da próxima safra começa agora
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Manejo de resistência: o programa da próxima safra começa agora

Enquanto as áreas produtivas descansam entre um ciclo e outro, abre-se a janela ideal para estruturar o programa de manejo de resistência da soja para a safra 2026/2027. E esse planejamento parte, necessariamente, dos dados recém-coletados no pós-colheita.

Enxergar a entressafra como etapa ativa da safra é o que transforma o histórico da lavoura em estratégia. Com o monitoramento de pragas do ciclo encerrado, a leitura de quais alvos pressionaram a área e o registro de quais mecanismos de ação foram usados, é possível formar uma base técnica muito mais sólida e segura para as decisões futuras. 

O ponto de partida é simples: populações de pragas respondem à pressão de seleção que o manejo impõe sobre elas. A rotação de mecanismos de ação é, então, o que sustenta a eficiência de cada aplicação ao longo do tempo. E essa lógica se constrói agora, quando ainda há espaço para o planejamento. 

A resistência é uma consequência do sistema adotado

A resistência acontece quando a mesma pressão de seleção é aplicada sobre a mesma população de pragas. Isto é, o uso repetido de produtos com o mesmo mecanismo de ação elimina os indivíduos sensíveis e seleciona os resistentes, que passam a dominar a população ao longo das safras.

Por isso, o manejo de resistência não se resolve necessariamente com a troca de um produto, mas sim com a rotação planejada de mecanismos distintos, orientada pela classificação dos comitês internacionais de resistência — o IRAC, para inseticidas, e o FRAC, para fungicidas. Esses sistemas agrupam os ativos por modo de ação, e a regra estrutural é simples: não repetir o mesmo grupo em gerações sucessivas da praga.

Pilares que sustentam um programa consistente:

Rotação de culturas na entressafra, que quebra o ciclo biológico das pragas e reduz a população que chega à safra seguinte, aliviando a pressão sobre o programa químico.

Rotação de mecanismos de ação, alternando grupos do IRAC ao longo do ciclo e entre safras, de forma que nenhuma geração da praga seja exposta duas vezes seguidas à mesma pressão de seleção.

Diversificação de ferramentas, combinando controle químico, biológico e cultural. O manejo integrado reduz a dependência de moléculas isoladas e dilui a pressão sobre cada mecanismo.

Respeito às áreas de refúgio em cultivares Bt, mantendo a proporção recomendada de plantas não-Bt. O refúgio preserva indivíduos suscetíveis na população, diluindo os genes de resistência e prolongando a vida útil da tecnologia.

Aplicação na janela e na dose corretas, com posicionamento definido pelo monitoramento. Subdose e aplicação tardia estão entre os principais aceleradores da seleção de resistência no campo.

Os alvos que pressionam o Cerrado

Três complexos concentram a maior parte da pressão de resistência na soja do Cerrado, e cada um exige leitura própria dentro do programa.

O percevejo-marrom (Euschistus heros) é o principal alvo de sucção da cultura, atacando diretamente as vagens e comprometendo peso, qualidade e poder germinativo dos grãos. É uma das pragas com histórico mais consistente de perda de sensibilidade a inseticidas no Brasil, o que torna a rotação de mecanismos e o controle de populações remanescentes na entressafra decisivos para não iniciar a safra com pressão elevada.

A lagarta Helicoverpa armigera pode causar até 40% de perdas de produtividade, segundo a Embrapa Soja.

O complexo de lagartas, com destaque para Helicoverpa armigera, Chrysodeixis includens (falsa-medideira) e as espécies de Spodoptera, pressiona a soja da fase vegetativa ao enchimento de grãos. A capacidade de algumas dessas espécies de atacar diferentes culturas amplia a exposição a mecanismos de ação, o que exige atenção redobrada à rotação e ao uso correto das biotecnologias.

Já a mosca-branca (Bemisia tabaci) ganha relevância sobretudo em anos mais quentes e secos, condições que favorecem seu desenvolvimento. Além do dano direto, atua como vetora de vírus e apresenta ciclo curto e alta capacidade reprodutiva, características que aceleram a seleção de resistência quando o controle se apoia em poucos mecanismos.

O ponto comum entre os três alvos é que nenhum deles se resolve na urgência da safra. A decisão que sustenta o controle é tomada agora, na leitura dos dados do ciclo anterior e na montagem de um calendário de rotação que respeite a biologia de cada praga.

A conta que se traduz no financeiro

Como toda decisão de manejo, o programa fitossanitário tem peso financeiro imediato. A resistência instalada pode elevar o número de aplicações necessárias, encarecer o custo de controle por hectare e reduzir a eficiência de moléculas nas quais o produtor já investiu. 

Por isso, estruturar o programa na entressafra é uma decisão assertiva, já que antecipa a compra dos insumos certos, dimensiona o investimento com previsibilidade e preserva a eficiência das moléculas ao longo do tempo. Ou seja, o manejo de resistência é, antes de tudo, uma decisão de preservação de valor.

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O manejo de resistência é uma operação de negócio que atravessa toda a jornada do produtor, e a ORÍGEO atua de ponta a ponta nesse processo, conectando o diagnóstico técnico à decisão de campo.

Muito além do fornecimento, a ORÍGEO acompanha o produtor em todo o planejamento de insumos da safra.

Nosso papel é transformar o monitoramento da safra em um programa de rotação de mecanismos de ação estruturado, sustentado por uma cadeia completa de insumos, acessada diretamente da indústria, que garante ao produtor o portfólio necessário para diversificar mecanismos sem abrir mão de eficiência. 

Manejo de resistência: o programa da próxima safra começa agora