
Como o carbono se conecta com a regeneração?
13/02/2025
Boas práticasA agricultura regenerativa é uma abordagem sustentável para o cultivo de alimentos que visa não apenas melhorar a saúde dos ecossistemas agrícolas, mas também desempenhar um papel fundamental na luta contra as mudanças climáticas.
Mas como o carbono se conecta a esse conceito?
Uma das principais vantagens dessa prática está justamente em sua capacidade de sequestrar carbono da atmosfera. Dessa forma, ela ajuda a reduzir a concentração de gases de efeito estufa responsáveis pelas mudanças climáticas.
COMO FUNCIONA O SEQUESTRO DE CARBONO NO SOLO?
O sequestro de carbono no solo refere-se ao processo em que o dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera é capturado e armazenado no solo. Esse processo pode ocorrer de diferentes formas. Uma delas acontece por meio da incorporação de matéria orgânica no solo, como resíduos vegetais, esterco ou restos de culturas agrícolas.
Nesse caso, a incorporação é realizada por microrganismos que decompõem a matéria orgânica. Durante esse processo, o CO₂ é liberado e, em seguida, o carbono passa a integrar a estrutura do solo.
Além disso, o sequestro de carbono também ocorre por meio das raízes das plantas. Afinal, as plantas retiram dióxido de carbono da atmosfera durante a fotossíntese. Parte desse carbono, então, é direcionada para as raízes, onde acaba sendo liberada no solo.
Outro mecanismo importante envolve a fixação biológica do nitrogênio. Isso acontece porque diversas espécies de plantas estabelecem uma relação simbiótica com bactérias fixadoras de nitrogênio. Essas bactérias transformam o nitrogênio atmosférico em formas utilizáveis pelas plantas. Como resultado, ocorre o aumento da biomassa vegetal e, consequentemente, do teor de carbono no solo.
Por fim, os agregados do solo também desempenham um papel essencial no armazenamento de carbono. Esses agregados são formados a partir da união de partículas minerais com matéria orgânica. Assim, contribuem para a estruturação do solo e dificultam sua decomposição. Dessa maneira, o solo consegue atuar como estoque de carbono por mais tempo.
TÉCNICAS DE AGRICULTURA REGENERATIVA QUE AUMENTAM O SEQUESTRO DE CARBONO NO SOLO
O sequestro de carbono no solo, dentro da agricultura regenerativa, é alcançado por meio de uma série de técnicas e práticas agrícolas planejadas. Entre elas, destacam-se:
Cultivo de cobertura:
A utilização de culturas de cobertura, como leguminosas, gramíneas e outras plantas, entre as principais safras mantém o solo protegido durante períodos em que normalmente estaria exposto. Além disso, essas culturas ajudam a fixar carbono atmosférico no solo por meio da fotossíntese, processo no qual as plantas absorvem dióxido de carbono (CO₂) para crescer e liberam oxigênio.
Rotação de culturas:
Alternar diferentes tipos de culturas em uma mesma área de cultivo contribui para melhorar a saúde do solo. Como resultado, aumenta também sua capacidade de reter carbono. Isso ocorre porque plantas variadas possuem sistemas radiculares distintos, o que melhora a estrutura do solo e amplia sua capacidade de armazenar matéria orgânica rica em carbono.
Plantio direto:
A prática de evitar o uso excessivo de arado ou de maquinário pesado ajuda a preservar a estrutura do solo. Dessa forma, reduz-se também a liberação de carbono que já está armazenado nele.
Biofertilizantes:
O uso de compostos orgânicos no lugar de fertilizantes químicos melhora a qualidade do solo. Consequentemente, aumenta a quantidade de carbono retida.
Agroflorestas:
A combinação de árvores, culturas e/ou criação de animais no mesmo espaço favorece a formação de um ecossistema mais complexo e equilibrado. Nesse sistema, as árvores capturam carbono da atmosfera e ajudam a fixá-lo no solo, contribuindo para a retenção a longo prazo.
BENEFÍCIOS DO SEQUESTRO DE CARBONO NO SOLO NA AGRICULTURA
Essas práticas de agricultura regenerativa não apenas sequestram carbono da atmosfera. Além disso, também geram efeitos positivos no dia a dia da fazenda, impactando diretamente a vida do agricultor. Entre os principais benefícios estão:
– Aumento da fertilidade, da porosidade, da infiltração e da capacidade de retenção de água no solo;
– Permite que o sistema radicular das plantas alcance profundidades maiores;
– Melhora a resistência do solo à compactação;
– Aumento da biodiversidade do solo, especialmente de microrganismos que favorecem a produtividade agrícola e a sustentabilidade dos ecossistemas;
– Prevenção dos efeitos que as mudanças climáticas podem provocar nos sistemas agrícolas, como secas ou chuvas intensas, infestação de pragas e doenças, entre outros problemas.
– Em outras palavras, o sequestro de carbono no solo favorece não apenas a preservação do meio ambiente. Como consequência, todo o sistema agrícola também é beneficiado.
VOCÊ PRECISA SABER!
Vale lembrar que o produtor que investe em práticas que favorecem o sequestro de carbono e a retenção desse carbono no solo também pode obter vantagens econômicas. Afinal, além da alta produtividade da safra, futuramente ele pode ingressar no mercado de carbono. Com isso, pode obter retorno financeiro pela atividade de capturar e estocar carbono em sua propriedade.
Para conhecer mais sobre essas práticas e sua aplicação, conte com nossos consultores. A ORÍGEO tem como missão implantar boas práticas agrícolas em larga escala, visando aumento de produtividade, rentabilidade e sustentabilidade dos nossos clientes. Para isso, contamos com um time capacitado, que trabalha com as melhores técnicas, produtos e parceiros.
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