
Estresse hídrico no desenvolvimento da soja
13/02/2025
ClimaO cultivo da soja para a safra 23/24 no Mato Grosso alcançou 60% no dia 24 de outubro de 2023, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). Mesmo com esse avanço, a semeadura do grão no estado está atrasada 6,94 pontos percentuais em comparação ao mesmo período de 2022.
Além disso, conforme os dados do órgão norte-americano NOAA, nos próximos dias espera-se que a maior parte do Mato Grosso receba volumes de chuvas entre 5 e 15 mm. Dessa forma, esse cenário pode beneficiar o ritmo dos trabalhos no campo. No entanto, as preocupações persistem em relação à distribuição das precipitações e aos volumes de chuva nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, que ainda não atingiram os níveis necessários.
Segundo o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Fernando Cadore, as chuvas irregulares são as principais responsáveis pelo atraso. Além disso, as altas temperaturas e o tempo muito quente também podem colocar em risco os plantios já semeados.
Nesse contexto, os fatores climáticos são extremamente relevantes para o desenvolvimento de uma safra. Normalmente, nos períodos de primavera e verão, espera-se uma disponibilidade hídrica considerável.
O CLIMA NO CERRADO
O clima predominante no domínio do Cerrado é o Tropical Sazonal, com inverno seco. A temperatura média anual fica em torno de 22 a 23 °C. Além disso, as médias mensais apresentam pequena estacionalidade.
As máximas absolutas mensais não variam muito ao longo do ano e podem chegar a mais de 40 °C. Por outro lado, as mínimas absolutas mensais variam bastante, podendo atingir valores próximos ou até abaixo de zero nos meses de maio, junho e julho.
Em geral, a precipitação média anual fica entre 1200 e 1800 mm. Diferentemente da temperatura, a precipitação média mensal apresenta grande estacionalidade. Assim, as chuvas concentram-se nos meses de primavera e verão, entre outubro e março, período conhecido como estação chuvosa.
Já entre maio e setembro os índices pluviométricos mensais reduzem-se bastante e podem chegar a zero. Como resultado, forma-se uma estação seca que pode durar de 3 a 5 meses.
Além disso, curtos períodos de seca, chamados de veranicos, podem ocorrer em plena estação chuvosa. Esses eventos podem causar danos à agricultura, principalmente quando estão associados a fenômenos como o El Niño.
Uma possível consequência desses períodos é o estresse hídrico nas lavouras.
AFINAL, O QUE É ESTRESSE HÍDRICO?
O estresse hídrico pode ser descrito como uma condição em que ocorre excesso ou déficit de água para suprir a necessidade hídrica da planta. Algumas plantas são mais suscetíveis a essas condições do que outras (AVOZANI, 2021).
Além disso, a disponibilidade hídrica é um dos fatores climáticos mais importantes para a produtividade da soja. Por isso, o acompanhamento das previsões do tempo é essencial para um melhor planejamento da safra, evitando perdas que podem ocorrer devido ao estresse hídrico.
A água representa cerca de 90% do peso da planta de soja e participa de todos os processos fisiológicos e bioquímicos da cultura. Portanto, a disponibilidade de água no solo é um fator determinante para o pleno desenvolvimento da planta, especialmente nas fases de germinação-emergência e floração-enchimento de grãos.
EFEITOS DO ESTRESSE HÍDRICO NA SOJA
Os principais efeitos do estresse hídrico em soja são:
– Redução da fotossíntese;
– Redução da fixação biológica de nitrogênio;
– Distúrbios nutricionais: sem água não há nutrição das plantas;
– Distúrbios hormonais: menor síntese de hormônios promotores, como giberelinas, auxina e citocininas, e maior síntese de hormônios inibidores, como etileno e ácido abscísico;
– Antecipação e desuniformidade da floração;
– Abortamento de flores e vagens;
– Retenção foliar/caule verde;
– Menor formação de sementes na vagem;
– Aumento na suscetibilidade a doenças e pragas;
– Senescência antecipada de folhas.
Na fase de enchimento dos grãos pode haver redução no tamanho e no peso. Além disso, pode ocorrer aumento no teor de grãos verdes, pois a falta de água prejudica a atividade das enzimas responsáveis pela degradação da clorofila.
Outro efeito visível da escassez de água é a redução do crescimento da planta. Isso ocorre devido ao encolhimento da célula, fenômeno conhecido como perda de turgidez. Como consequência, o crescimento celular é prejudicado e a planta apresenta tamanho reduzido.
Além disso, outra característica comum em plantas com carência de água é a redução da área foliar devido ao abortamento de folhas. Esse processo ocorre quando a planta desenvolve bem suas folhas, mas entra posteriormente em uma fase de déficit hídrico, o que provoca senescência e queda das mesmas.
VOCÊ PRECISA SABER!
Segundo meteorologistas, os impactos do El Niño devem se estender por toda a safra 23/24. De acordo com o NOAA, o fenômeno pode começar a enfraquecer no início de 2024. No entanto, o pico de intensidade deve ocorrer entre outubro e dezembro de 2023.
Até lá, a previsão é de que o Brasil apresente diferentes alterações climáticas em seu território. Como consequência, podem surgir maiores dificuldades durante a semeadura da soja, que ocorre justamente em períodos com maior influência desse fenômeno.
No contexto atual, os extremos climáticos e as irregularidades na distribuição das chuvas tornam-se cada vez mais frequentes. Como resultado, o estresse hídrico tende a ocorrer com maior intensidade, podendo impactar significativamente a produtividade da sojicultura.
Por isso, entender fatores como El Niño e La Niña, além de realizar o monitoramento climático antes e durante a safra, é essencial para enfrentar os desafios agrícolas contemporâneos. Quanto a isso, conte com a ORÍGEO. Temos um time de especialistas que acompanha o dia a dia da sua fazenda, entendendo as necessidades e oferecendo os melhores produtos e soluções para a sua lavoura, desde antes do plantio até depois da colheita.
